Muitas pessoas acreditam que por sermos espíritas,
trabalharmos como médiuns em uma Casa Espírita,
postarmos mensagens edificantes, fazermos algumas poucas caridades, devemos ser infalíveis.
Não é bem assim. Sentimos raiva, vontade de revidar uma agressão, de não olhar mais na cara, nos magoamos com a injustiça, com a ingratidão, com a traição, enfim, nossos sentimentos são iguais aos dos outros.

Daí os ensinos espíritas falam mais alto e nos faz rever
os nossos sentimentos. Mas, as pessoas ficam de olho em tudo que falamos e fazemos e cobram qualquer deslize dizendo: “Você não é espírita?” “Você não é médium?”

“Então, por que fez isso ou falou aquilo?”

Até o apóstolo Paulo sofria para domar suas más inclinações.
Dizia ele: “…o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.”

Assim somos nós.

Espírita não é uma pessoa perfeita, que não comete erros.
Espírita é um ser em construção interior, por isso falamos tanto da reforma íntima. Temos Jesus como nosso guia e modelo a ser seguido, mas não nos tornaremos perfeitos tão rapidamente.

Foram séculos de erros e serão, talvez, mais séculos de aprendizado e vivência cristã.

Cada mensagem e texto escrito, postado e lido, são puxões de orelha em nós mesmos, antes de tudo.

Cada tropeço é um momento de repensar e tentar fazer melhor da próxima vez.

Enfim, ser espírita é esforço, é perseverança, é reconhecer o erro, é pedir perdão, é perdoar, é tentar ser hoje melhor do que fomos ontem e ser amanhã melhor do que estamos sendo hoje, para conosco e para com o próximo.

Kardec disse: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”

Portanto, se o espírita é reconhecido pelo esforço que ele emprega para domar as más inclinações, é sinal que ele tem más inclinações, ou seja, ele não é perfeito, mas tem obrigação de se esforçar para se melhorar. Podemos dizer que muitos de nós ainda somos uma lagarta, que rasteja para se locomover, assusta, queima, come as plantas do jardim.
Outros já estão no casulo, buscando melhorar-se para ser um dia uma linda borboleta, que embeleza o jardim, poliniza as flores, é útil na Natureza e é suave em seus movimentos de locomoção visando alçar voo aos céus.

Autor desconhecido.