Muitas pessoas pensam que, ao dirigirem-se para a reunião pública de um Centro Espírita, irão tão-somente beneficiar-se da exposição doutrinária a se realizar. Há quem considere que esta atividade é uma perda de tempo e ainda a menospreza. Este é um engano bastante recorrente, especialmente entre aqueles que não foram conscientizados sobre as possibilidades da Espiritualidade e das imensas dimensões espirituais que a instituição assume.

Frequentemente, encontramos não apenas os assistentes pensando desse modo, mas também alguns trabalhadores que não cultivam o hábito do estudo e da reflexão. Com isto, em vez de exemplificarem a adequação aos demais, prestam um desserviço por sua negligência, invigilância e até mesmo imprudência.

O momento da preleção pública representa muito mais do que o instante do esclarecimento evangélico e do Espiritismo. Durante este tempo, além do despertamento reflexivo, a Espiritualidade presente realiza o preparo dos assistentes e dos servidores para outras atividades a serem desenvolvidas logo após (como o passe, por exemplo, ou outro encaminhamento laboral).

Este período também consiste em fonte de realinhamento energético para encarnados e desencarnados que lá se encontram, ou que a estes estejam vinculados direta ou indiretamente e que necessitam de ajuda para sua restauração ou alívio de caráter físico, perispirítico, emocional ou moral. Tal equilibração de energias, conforme a necessidade pessoal, pode perdurar ao longo da semana ou permanentemente de acordo com a receptividade e grau de esforço na prática do bem e da confiança do receptor.

Não é raro que tratamentos espirituais, inclusive verdadeiras cirurgias, sejam desenvolvidos mesmo ao longo da palestra, pois Mentores e outros Amigos Espirituais aproveitam toda e qualquer oportunidade para o exercício do bem e ajuda aos necessitados e merecedores. Com isto, profundas modificações podem se efetivar ou ter início em uma reunião, para que na continuidade de outros encontros o restabelecimento ou a minorização de determinado sofrimento se faça.

Deste modo, é fundamental o desenvolvimento de posturas e atitudes saudáveis e colaborativas, uma vez que as Dádivas Celestes fazem-se presentes para absolutamente todos – incluindo o próprio palestrante, o qual, na grande maioria das vezes, pode em dada situação alterar a sua dissertação, a partir da preparação prévia do tema, em função das intuições momentaneamente recebidas do Além. Por esta razão, a importância do seu preparo não somente pelo estudo, mas igualmente pela oração, a fim de esta sintonia e ressonância ocorrer com a maior limpidez possível.

Não será demasiado registrar que estas intuições provindas da Espiritualidade já iniciam-se desde a organização do ciclo de palestras, escolha de preletores e da presença dos próprios tarefeiros da Casa. Por este motivo, é importante que os mesmos mantenham sua assiduidade e cumprimento de seus compromissos porque são instrumentos e colaboradores efetivos da execução de uma tarefa cujo dimensionamento nem sempre é vislumbrado por ele, mas é primordial para o intercâmbio entre os planos visível e invisível. Provavelmente, agendamentos no Laboratório Invisível já estão em curso e, mediante a ausência descompromissada e repentina do trabalhador encarnado, ocorra algum adiamento ou os Mensageiros Amigos precisem utilizar de outros recursos que podem demandar um gasto energético desnecessário se houvesse a participação e coparticipação do tarefeiro da Casa Espírita.

Outrossim, é útil que as pessoas responsáveis por este serviço em uma Casa Espírita desenvolvam sua sensibilidade e estabeleçam uma conexão eficiente com a Espiritualidade, com o real propósito de servirem com fidedignidade e responsabilidade para o desempenho bem sucedido do evento. Isto porque eles mesmos estão sendo constantemente (re)abastecidos e auxiliados no seu processo evolutivo: é importante recordar que o médium é, geralmente, o Espírito mais comprometido em todo este cenário.

A postura de acolhimento e recolhimento do dirigente e dos trabalhadores, por tal motivo, consiste preponderante ação, pois é neles que os Mentores e Servidores do Cristo encontram importantes recursos de ponte com a Casa. Embora a Espiritualidade possa fazer o que deva ser feito por si, os tarefeiros encarnados precisam ter em mente que esta é uma grande e rica oportunidade de estreitar o vínculo fraterno e vivenciar, pela prática do amor ao próximo, sua evolução moral.

A ambiência propícia é outra das medidas significativas, pois um ambiente fraterno e harmonioso oferece condições favoráveis para que a ação e interação da Espiritualidade aconteça com a intensidade desejada. A balbúrdia, a indisciplina, falta de pontualidade e a desorganização não somente angustiam e levam ao desinteresse do assistente, como também podem gerar nele o descrédito e a ansiedade – o que em nada colabora para que as pessoas prestem atenção e se mantenham preparadas para o recebimento das benesses espirituais.

No entanto, não cabe somente aos trabalhadores e palestrante a manutenção de uma conectividade com os Benditos Amigos. É imprescindível que o assistente desenvolva em si o hábito do recolhimento, de manter-se atento ao tema em desenvolvimento, sem conversas paralelas ou imaginações despropositadas, deixando seus problemas domésticos e sociais para um outro momento, desligando e esquecendo de consultar seu telefone celular ou de perder-se em divagações, recordações ou julgamentos impróprios. Sua capacidade de concentração, sintonizar-se e de perceber as ajudas que recebe passam, assim, a tornarem-se cada vez mais facilitadas e a absorção dos fluidos benéficos irá certamente acontecer com mais rapidez, efeito e eficácia. Por conseguinte, talvez, crie-se tal condição que inclusive haja até mesmo a desnecessidade de aguardar pelo momento do passe, pois saberá que ali mesmo na reunião pública já pode estar sendo socorrido.

Nunca é demais considerar que uma reunião, por mais pública ou coletiva que seja, produz reflexões somente consolidadas no interior de cada um; que o atendimento pela Espiritualidade e o tratamento que alguém recebe está particularizado e, por isto, o maior ou menor sucesso, intensidade e brevidade é uma tarefa individualizada. Se alguém não se dispõe a produzir em si as mudanças de âmbito moral e comportamental, fazendo a sua parte, torna-se difícil qualquer amparo no sentido de confortá-lo porque não é observada sua iniciativa evolutiva. A chance reencarnatória precisa ser aproveitada!

“Alma alguma, nas diversas confissões religiosas do Cristianismo, recebe noticias de Jesus, sem razão de ser. Ora, se toda condição de trabalho edificante traduz compromisso da criatura, todo conhecimento do Cristo traduz responsabilidade. Cada aprendiz do Mestre, portanto, está no dever de observar a consciência, conferindo-lhe os alvitres profundos com as disposições evangélicas.” (Livro Os Mensageiros, Espírito André Luiz/Francisco C. Xavier)

(Sonia Hoffmann)