O Livro dos Médiuns

Havia chegado a hora!

Os Espíritos do Senhor já estavam com tudo pronto para o nascimento da Doutrina dos Espíritos na face do planeta.

Reencarnava o Espírito que já havia vivido como Johannes Huss, que já auxiliara o progresso do Cristianismo, ajudando a estimular a Reforma. Reencarnava  como Hippolyte Léon Denizard Rivail, a 3 de outubro de 1804, em Lion, França, com a missão, sabemos hoje, muito bem sucedida, de estruturar o Espiritismo.

Em Paris, em 1848, o professor Rivail, já com 44 anos, teve notícia dos acontecimentos de Hydesville, na América, quando nas paredes de madeira do barracão de John D. Fox surgiram pancadas que interrompiam o sono dos moradores da casa. Suas filhas, Katherine, de nove anos e Margaretta, de 12, médiuns de efeitos físicos,  foram fonte das primeiras notícias de mais ampla divulgação, sobre as comunicações entre encarnados e desencarnados.

Em 1853, simultaneamente em toda a Europa, surgia o fenômeno das mesas girantes, considerado “o maior acontecimento do século”, pelo Padre Ventura de Raulica, o mais eminente representante de teologia e filosofia, da Igreja Católica. Olhando de hoje para aquele tempo, tem-se a clara impressão de que todas aquelas ações foram orquestradas para chamar, mesmo, a atenção, fosse para o espírito científico de investigação ou mesmo de instigar a curiosidade. Tanto é que, atualmente, quem fala em mesas girantes? Só serviram mesmo, naquele tempo, para o fim colimado. O fato é que, da diversão, passou-se ao estudo sério, considerando o caráter inteligente das comunicações.

Quando das primeiras notícias recebidas sobre as mesas comunicantes, o professor Rivail se mostrou cético, dizendo que ainda nada vira nem observara, mas tendia a ver nessas manifestações efeito puramente material, pois “a ideia de uma mesa falante ainda não me entrara na cabeça”.

Foi quando, em 1855, convidado a assistir a uma reunião na casa da Sra. Planemaison, verificou que as respostas inteligentes das mesas girantes e as “cestas-de-bico” que escreviam não deixavam margem a dúvidas.

Já convencido, tendo se tornado franco investigador do assunto, foi em 1856, nas sessões realizadas à casa do Sr. Baudin, que parte do material que comporia O Livro dos Espíritos começou a ser compilado, tendo sua primeira publicação em 1857. Nascia, assim, o Espiritismo.

Mas era necessário sistematizar os estudos sobre a mediunidade, pois isso estava no cerne da questão sobre a comunicação entre encarnados e desencarnados.

 

 

Já tendo adotado o pseudônimo de Allan Kardec, de uma encarnação como druida, escreveu, em 1858,Instrução Prática sobre as Manifestações Espíritas,  com o objetivo de guiar os médiuns, mas, embora publicação feita com um fim grave e sério, não foi reimpressa porque não foi considerada, por ele, bastante completa para esclarecer a respeito de todas as dificuldades que poderiam ser encontradas. Foi substituída, em 1861,  pelo Livro dos Médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores, com o ensino geral dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos com que se podem deparar na prática do Espiritismo.

O Livro dos Médiuns é a nossa realidade, hoje.

Kardec disse que um desejo muito natural nas pessoas que se ocupam do Espiritismo é o de poderem entrar em comunicação com os Espíritos e acrescentando que a obra eletiva para isso é O Livro dos Médiuns, mas que se engana quem pensa que vai encontrar nele uma fórmula simples e infalível de se conseguir esse intento.

E nós, espíritas, que nos achamos trabalhadores da Seara do Cristo, conhecemos o Livro dos Médiuns?

Da mesma forma como não é preciso ser movido pela intenção de ser engenheiro, para se estudar matemática, ou a de ser um literato para estudar os fundamentos da língua pátria, vemos uma grande utilidade em que todos os que se dizem espíritas, leiam e estudem o Livro dos Médiuns.

Não nos esqueçamos da orientação: “Amai-vos e instruí-vos”. Mesmo que não sejamos movidos pela ideia de exercer atividade mediúnica, todos necessitamos adquirir cultura espírita e, nesse sentido, é imprescindível estudar as bases da comunicação entre os dois planos, para que se nos abra um mundo novo de conhecimentos, de possibilidades de entendimento. Kardec lembra que, como instrução prática, ler esse livro promove melhores condições de se observar e melhor compreender os fenômenos espíritas.

Nem sempre conhecemos a nós mesmos o suficiente para estimar até que ponto somos verdadeiramente sérios e responsáveis na aquisição de determinados conhecimentos. É bem possível que pensemos saber perfeitamente o que na realidade não passa de superficial noção. Somente ao estudarmos cuidadosamente qualquer instrução exemplarde determinada matéria, passamos a ter condições de comparar o que pensávamos saber com o que realmente passamos a saber.

Em 1861, apenas quatro anos depois do surgimento de O Livro dos Espíritos, Kardec escrevia que o Espiritismo, desde o seu nascimento, até aquela altura já havia realizado grandes e imensos progressos. O que diremos nós, nesse ano de 2018, cento e cinquenta e sete anos depois, quando a cada dia aprendemos coisas novas e muitos mistérios vão sendo desvendados?!  É como se a Espiritualidade, no portal da nossa definitiva transformação em mundo de regeneração, desse permissão para que o conhecimento mais profundo fosse generalizado!
Mas se não nos dispomos a aprender o básico, impondo a nós mesmos disciplina e seriedade, na aquisição do conhecimento, como poderemos bem compreender o que está acontecendo, nos preparando para esse mundo novo?
O espirita sério – o que deveria soar como redundância – não pode querer saber apenas por diletantismo, isto é, pelo prazer de saber, ou para viver internamente a vaidosa sensação de pensar que sabe mais que outros. Deve aprender para ter melhores condições de servir à obra de Deus, que é o nosso grande objetivo.

Haroldo Dutra Dias lembra que depois da leitura de O Livro dos Médiuns, a mediunidade passa a ser com Jesus.

Nossa Casa está para começar uma nova atividade, de curso de médiuns.
Assim, entendemos que a melhor homenagem que podemos prestar ao Mestre lionês, nesse mês de outubro é a de que para nós, na Casa de Frei Fabiano, estará havendo conscientização a respeito da importância que essa lúcida e instrutiva obra deve ter para todos nós.

Paz com Jesus.

Celso Andreoni