León Denis

por: Ricardo Gembarowski

Durante o mês de janeiro, o Movimento Espírita vem divulgando um pouco da história desse homem, que muito contribuiu para o Espiritismo, uma vez que no dia 1º de janeiro de 1846 nasceu em Tours, na França, Léon Denis. Cedo, conheceu, por necessidade, os trabalhos manuais e os pesados encargos da família, trabalhando durante o dia e estudando a noite.
No lugar de brincadeiras próprias da juventude, procurava instruir-se o mais possível. Lia obras sérias, conseguindo assim, com esforço próprio, desenvolver sua inteligência. Tornou-se um autodidata sério e competente.
Aos 18 anos (1864):
a. tornou-se representante comercial da empresa onde trabalhava, fato que o obrigava a viagens constantes, situação que se manteve até à sua reforma e ainda depois por mais algum tempo. Adorava a música e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto.
b. o chamado acaso fez com que a sua atenção fosse despertada para uma obra de título inusitado. Esse livro era O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Dispondo do dinheiro necessário, comprou-o e, recolhendo-se imediatamente ao lar, entregou-se com avidez à leitura.
O próprio Denis disse: 
“Nele encontrei a solução clara, completa e lógica, acerca do problema universal. A minha convicção tornou-se firme. A teoria espírita dissipou a minha indiferença e as minhas dúvidas”.
O contato com Kardec deu-se em 1867 (Tours, França), após uma conferência viu Kardec colhendo cerejas para sua esposa. Kardec fundou em Tours, um grupo espírita, do qual Léon Denis foi secretário.
O materialismo e o positivismo olham para o Espiritismo com ironia e risadas e os crentes das demais correntes religiosas, que não hesitam em aliar-se aos ateus, para o ridicularizar e enfraquecer. Léon Denis, porém, como bom paladino, enfrenta a tempestade.
“Coragem, amigo − diz-lhe o Espírito de Jeanne − estaremos sempre contigo para te sustentar e inspirar. Jamais estarás só. Meios ser-te-ão dados, em tempo, para bem cumprires a tua obra”.
Em 2 de novembro, de 1882, dia de Finados, um evento de capital importância produziu-se na sua vida: a manifestação, pela primeira vez, daquele Espírito que, durante meio século, havia de ser o seu guia, o seu melhor amigo, o seu pai espiritual − Jerônimo de Praga −, que lhe disse: ”Vai, meu filho, pela estrada aberta diante de ti. Caminharei atrás de ti para te sustentar”. Lenis tinha 36 anos de idade.
A partir de 1884, achou conveniente fazer palestras visando à maior difusão das ideias espíritas. Escreveu, em 1885, o trabalho “O Porquê da Vida”, no qual explica, com nitidez e simplicidade, o que é o espiritismo.
A sua personalidade contagiante, o bom senso de que era dotado, a operosidade no trabalho, a dedicação ímpar aos seus semelhantes e o depurado amor que devotava aos ideais que esposava.
Em 1892, recebeu um convite da duquesa de Pomar, para falar de espiritismo na sua residência, numa dessas manhãs célebres, em que se reunia quase toda a Paris. Ele ficou indeciso e temeroso. Depois de muito meditar as responsabilidades, aceitou o convite.
“Le Journal” de Paris publicou, acerca da reunião na casa da duquesa, a seguinte notícia: “A reunião de ontem, para ouvir a conferência de Léon Denis sobre a Doutrina Espírita, foi uma das mais elegantes. De uma eloquência muito literária, o orador soube encantar o numeroso auditório, falando-lhe do destino da alma, que pode, diz ele, reencarnar até à sua perfeita depuração…”
O êxito do seu livro “Depois da Morte” (1890) situara-o como escritor de primeira ordem. Os grandes jornais e revistas ecléticas solicitavam-no e as tiragens sucessivas desse livro esgotavam-se rapidamente. Eurípedes Barsanulfo se tornou espírita mediante a leitura desta obra.
A partir de 1910, a visão de Léon Denis foi, dia após dia, enfraquecendo. A operação a que se submetera, dois anos antes, não lhe proporcionara nenhuma melhora, mas suportava, com calma e resignação, a marcha implacável desse mal que o castigava desde a juventude. Ensinou a forma como devemos lidar com a doença.
Jamais o viram queixar-se. Todavia, é possível supor quão grande devia ser o seu sofrimento. Jamais se aborrecia; amava a juventude e possuía a alegria da alma. Era inimigo da tristeza. O mal físico, para ele, devia ser bem menor do que a angústia que experimentava pelo fato de não mais poder manejar a pena.
A grande dificuldade para Denis, consistia em rever e corrigir as novas edições dos seus livros e dos seus escritos.
Após a I Grande Guerra (1914 – 1918), aprendeu braille, o que lhe permitiu fixar no papel os elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao Espírito. As matérias eram publicadas na Revista Espírita.
Em março de 1927, com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que intitulou de O Gênio Céltico e o Mundo Invisível. Neste mesmo mês, a Revue Spirite publicava o seu derradeiro artigo.
Na terça-feira, 12 de março, de 1927, pelas 13 horas, respirava Denis com grande dificuldade. A pneumonia atacava-o novamente. A vida parecia abandoná-lo, mas o seu estado de lucidez era perfeito. As suas últimas palavras, pronunciadas com extraordinária calma, apesar da muita dificuldade, foram dirigidas à sua empregada Georgette: É preciso terminar, resumir e… concluir. Às 21h o seu Espírito alou-se. O seu semblante parecia ainda em êxtase.
As cerimônias fúnebres realizaram-se a 16 de abril. A seu pedido, o enterro foi modesto e sem o ofício de qualquer Igreja confessional. Está sepultado no cemitério de La Salle, em Tours.
“Sabes muito bem que eu não quero uma grande quantidade de flores, apenas as sempre-vivas amarelas, insígnia dos espíritas; a sempre-viva é o emblema da imortalidade e a cor amarela é o símbolo da luz”.
Foi o continuador lógico da obra de Allan Kardec, cognominado o Apóstolo do Espiritismo pela magnífica atuação desenvolvida, pela palavra escrita e falada, em favor da nova Doutrina.
Léon Denis foi o consolidador do Espiritismo. Não foi apenas o substituto e continuador de Allan Kardec, como geralmente se pensa. Denis tinha uma missão quase tão grandiosa quanto à do Codificador. Cabia-lhe desenvolver os estudos doutrinários, dar continuidade às pesquisas mediúnicas, impulsionar o movimento espírita na França e no Mundo, aprofundar o aspecto moral da Doutrina e, sobretudo, consolidá-la nas primeiras décadas do século. 
Foi o continuador lógico da obra de Allan Kardec, cognominado o Apóstolo do Espiritismo pela magnífica atuação desenvolvida, pela palavra escrita e falada, em favor da nova Doutrina.
Deve-se a ele a oportunidade ímpar que os espíritas tiveram de ver ampliados novos ângulos do aspecto filosófico da Doutrina Espírita, pois as suas obras de um modo geral focalizam numerosos problemas que assolam os homens e também a sempre momentosa questão da sobrevivência da alma humana em seu laborioso processo evolutivo. 
Imortalizou-se na gigantesca tarefa de dissecar problemas atinentes às aflições que acometem os seres encarnados, fornecendo valiosos subsídios no sentido de lançar novas luzes sobre a problemática das tribulações terrenas.
Abaixo, seguem as obras de sua autoria para que possamos lê-las e estudá-las:
Giovana (1880) – fascinante história de amor e espiritualidade, que consegue ser didática, sem perder o encanto do texto literário e o interesse de uma trama bem elaborada.
O porquê da vida (1885) –  ensinamentos úteis, fruto das vigílias, reflexões, de esperanças, de tudo que consolou e sustentou em sua caminhada  a Denis, conforme suas palavras.
Depois da morte (1889) – temas filosóficos, análise de antigas religiões, o surgimento do Espiritismo como uma crença nova apoiada em fatos, capaz de revelar ao pensamento humano o que se passa no além-túmulo.
Cristianismo e Espiritismo (1898) – a perfeita identidade da Doutrina Espírita com os preceitos do Cristianismo puro, a confirmação nas escrituras sagradas de conceitos espíritas, como a mediunidade e a reencarnação.
O Além e a sobrevivência do ser (1901) – relatos de casos comprovados de comunicação dos Espíritos, obedecendo aos cânones científicos do método experimental.
No Invisível (1903) – o Espiritismo experimental e suas leis, os fatos, as grandezas e misérias da mediunidade.
O problema do ser, do destino, da dor (1905) – evolução do pensamento, vida no além, provas históricas da reencarnação, a lei dos destinos, as potências da alma.
Joana d’Arc, médium (publicada, inicialmente, com a denominação de A verdade sobre Joana d´Arc, em 1910. Reapareceu, em 1912, com o novo título) –  um retrato físico e moral da heroína francesa, sua prisão,  processo, suplício, os fenômenos mediúnicos que a cercaram.
O grande enigma (1911) – temas ligados ao Universo e à natureza, demonstrando o porquê da existência do homem e a lei do destino.
O Mundo Invisível e a guerra (1919) – série de comunicações espirituais, no período da Primeira Guerra Mundial, destacando a influência dos Espíritos nos acontecimentos, os horrores da guerra e suas consequências no plano espiritual.
Espíritos e médiuns (1921)  – resumo de estudos sobre a mediunidade.
O Espiritismo na arte (1922) – o belo na arquitetura, pintura, escultura, música, literatura, a beleza se manifestando através do artista encarnado na Terra.
O gênio céltico e o Mundo Invisível (1927) – origem dos celtas, o druidismo, a experimentação espírita, o Mundo Invisível.