Kardec – Missão e Exemplo

À maneira da criança, que vive cercada de cuidados sem ter plena noção sobre a maneira como esses cuidados são organizados, nós, crianças espirituais, estamos imersos na organização da vida, tudo visando nosso sucesso evolutivo.
Espíritas que somos, nosso nível de consciência já permite perceber como a Espiritualidade vai se valendo dos Espíritos que evoluíram pelo bom uso que fizeram do arbítrio e foram se tornando, pelas histórias das próprias existências, mais capazes de auxiliar o progresso da Humanidade, como determinam as leis do Criador.
Um desses Espíritos, sem dúvida, foi Kardec.
Como druida, já lidava com fatos como a imortalidade do Espírito e a essência vital de plantas e animais. Os druidas também podiam ser pedagogos, juízes, tinham conhecimentos sobre astronomia, medicina e protegiam e orientavam o povo celta.
Como Jan Huss, baseou-se nas ideias de John Wycliffe para contribuir para a reforma da Igreja. Interessante lembrar que foi o próprio Kardec, como Jan Huss, que contribuiu para os fundamentos do Protestantismo, que tanto critica o Espiritismo…
Apenas por ter trabalhado pelo retorno do Cristianismo à pureza original, Jan Huss foi queimado vivo pela Igreja, no momento da morte dizendo a Jesus: “Tu deste a tua vida por amor a nós; eu te dou a minha vida por amor a ti.”
A Espiritualidade, organizadora do progresso do planeta, precisava lançar as bases do Consolador prometido por Jesus e se valeu desse Espírito, porque, de encarnação em encarnação foi se destacando pelo domínio de si mesmo, pela determinação, pelo amor à verdade, pelo intelecto capaz de brilhante argumentação, pela capacidade de trabalho, pela noção de dever, pelo amor ao próximo e pela sensibilidade às questões espirituais.
Kardec cumpriu a missão e desencarnou em 31 de março de 1869.
Muitos se apressam em dizer que foi por excesso de trabalho, mas seu médico e amigo, Dr. Demeure, desencarnado antes, conscientizou-o, por meio de mensagens, dos seus limites físicos por doença cardiovascular, aconselhando-o a não mais exceder-se no trabalho, conselhos seguidos por Kardec. Outros dizem que a crise fatal foi propiciada por excesso de emoção decorrente das injustiças de espíritas fúteis e levianos. Somos de opinião que Kardec desencarnou quando estava previsto, pelo rompimento fatal de um aneurisma, que é uma doença cuja tendência a se desenvolver já nasce com o indivíduo, portanto, algo programado.
Kardec, na verdade, foi um dos maiores exemplos de sucesso no cumprimento da missão a que foi chamado.
Conscientizemo-nos de que nós somos a prova viva deste sucesso e saibamos ser gratos aproveitando o seu exemplo, fazendo a nossa parte, levando sua obra adiante, com humildade e determinação.

Celso Andreoni
23.09.2017