“Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los. – porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto.”

(S. Mateus, 5: 17 e 18)

 

O Cristianismo havia vencido, espalhando a mensagem de amor e de progresso do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mas a mensagem cristã, aos poucos foi sendo deteriorada. Sufocada pelo egoísmo e a hipocrisia dos homens, que a interpretavam tendenciosamente, foi ficando cada vez mais distante do seu propósito original.

Muitos Espíritos que se preocuparam com tal deterioração, solicitaram à bondade de Deus o engajamento nos trabalhos de restabelecimento e progresso das ideias. Assim, como é previsto que o progresso se dê por ondas de renovação, foram elaborados projetos que contaram com o empenho desses Espíritos que se distinguiram em vidas anteriores pelo compromisso com a ordem e com a verdade.

Foi o caso de Jan Huss, que era identificado como pessoa de temperamento resoluto e disciplinado, tendo sido bacharel em letras e teologia. Tornou-se padre e reitor de faculdade de filosofia, tendo contribuído com ideias que estimularam a reforma protestante, defendendo que qualquer pessoa podia comunicar-se com Deus, sem a mediação dos sacerdotes. Morreu queimado na fogueira, por discordar da aristocracia clerical, que não admitia perda de poder.

Mas havia chegado o tempo do Consolador prometido por Jesus e os responsáveis espirituais pela sua organização e implantação viram, naquele Espírito, os predicados necessários para viver a missão de renovação.

Em obediência ao planejado, às 19 horas do dia 3 de outubro de 1804 renascia em Lion, França, no seio de tradicional e nobre família lionesa, o mesmo Espírito, batizado como Hippolyte Léon Denizard Rivail. Seu pai, Jean-Baptiste Antoine Rivail era juiz, homem de leis, alguém muito afeito à disciplina. Sua mãe, Jeanne Louise Duhamel, uma mulher bela, prendada, elegante e muito afável. Embora tenha merecido esse ambiente de amor e disciplina, reencarnou, como não poderia deixar de ser, no mesmo clima de esquecimento do passado, sujeito a todas as vicissitudes, à falência da missão e à convivência com opositores.

Ainda pequeno, deixava adivinhar a brilhante inteligência, o senso de responsabilidade e disciplina, demonstrando interesse pelas ciências e pela filosofia. Aos dez anos seu pai o enviou a Yverdon, na Suíça, para a escola modelo dirigida pelo professor e filantropo Johann Heinrich Pestalozzi. A escola funcionava em um castelo que foi vendido à cidade de Yverdon com a condição de que fosse cedido a Pestalozzi, para usufruto gratuito durante toda a sua vida, para que lá dirigisse o seu instituto. Foi nesta escola que o menino Rivail travou contato com todos os ramos do conhecimento, nas suas mais avançadas expressões, ensinados pelos mestres mais notáveis.

Em Yverdon, o método de ensino era pioneiro: Os alunos gozavam de liberdade, com ambiente propício para o desenvolvimento da relação de confiança e o amadurecimento do senso de responsabilidade. As aulas, de uma hora de duração,  eram dadas das seis da manhã às oito da noite. O sistema era heurístico, isto é, de estímulo para que o aluno buscasse soluções para as questões por meio da própria pesquisa, treinando a iniciativa, adquirindo independência.

Desde os catorze anos, Rivail já ensinava aos colegas, ensaiando-se na condição de submestre. Permaneceu em Yverdon até os dezoito anos, quando se mudou para Paris, já, pronto para o magistério. Um ano depois, já tinha pronto seu primeiro livro: um curso prático e teórico de aritmética. Nos momentos em que não estava ensinando, trabalhava em traduções do alemão e do inglês.

Nesta mesma época passa a se interessar profundamente pelo magnetismo. Era do seu modo de ser a grande capacidade de trabalho, de molde a organizar o tempo para poder realizar um estudo completo e criterioso do sonambulismo induzido e outras experiências. Para se instruir na matéria, leu grande número de livros que falavam contra as teorias de Mesmer, dos que diziam que a Igreja condenava o magnetismo, que tudo provinha da ação de fluidos infernais. Examinava, portanto, toda a argumentação contra e a favor das teorias, aprendendo a lidar com homens honestos que defendiam a verdade com desassombro e homens tendenciosos que a desprezavam por preconceito. O professor Rivail tomou parte ativa nos trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris, tornando-se experimentado magnetizador. E foi nesse meio que ouviu falar, pela primeira vez, das “mesas falantes”, moda que, de repente, começou a se espalhar pelo mundo, como que parecendo servir a determinado propósito. Passou a investigar também esses fenômenos, mais tarde afirmando, já como Allan Kardec: “Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há senão um passo; sua conexão é tal, que é, por assim dizer, impossível falar de um sem falar do outro”

Fica bem claro, portanto, que a vida sempre convida a seguir os caminhos de evolução e progresso. Em Kardec, somos apresentados a um Espírito que, ao longo das existências, se destacou pelo estoicismo, pelo lúcido senso moral, o gosto pelo estudo, a honesta busca da verdade e que soube enxergar nas pessoas, no ambiente e nas situações o campo de realizações no qual intuía que devia agir, propiciando a chegada da terceira revelação.

Olhando para o passado, vislumbramos todo esse caminho percorrido pela mensagem divina que inspira o amor e de paz, que convida ao salvamento e à liberdade, tendo como ponto alto a vinda do próprio Governador Celeste, com a sua Boa Nova, restabelecendo e ampliando a luz no caminho. A sermos sensatos, não há dúvida que a Doutrina Espírita é o Consolador prometido por Jesus, como cumprimento da lei, como evolução.

Todavia, como sempre, a vigilância sobre o restabelecimento e a manutenção da verdade devem ser constantes e habituais. Como a História mostra, é de todos os tempos, por parte de alguns, essa resistência ao progresso no entendimento da lei, essa tendência à manutenção de velhos hábitos, o comodismo de viver antigas crenças, o receio de mudanças, por vezes inconsciente.

Então não é perceptível que ainda hoje tantos vivam segundo o “olho por olho, dente por dente”? Que outros vivam uma relação de temor com Deus e ainda outros que se deixam guiar por uma fé sem raciocínio e sintam tanta falta de rituais?

Por outro lado, como em todas as épocas e como sempre será, o que melhor garante a interpretação lúcida da mensagem que reflete a vontade divina e explica o nosso papel na vida, é o estudo e a vivência dos ensinos recebidos.

Devemos aprender, não por diletantismo, para nos orgulharmos do próprio saber, comparando-o ao dos outros, mas para sermos úteis à vida, da mesma forma como foram disponibilizados a nós todos esses recursos por quem está entre o Criador e nós, em serviço à obra de Deus…

 

Nossa Casa está fundando o Centro de Estudos Frei Fabiano que intenta servir a esse propósito, de estudo e progresso na compreensão da verdade.
E nada melhor do que estudar num ambiente de amor e fraternidade. Assim, no dia 03 de novembro, às 15h30, acontecerá a 4ª Amorização, o Encontro dos Trabalhadores da Casa de Frei Fabiano, justamente com o tema OPORTUNIDADE. Todos estamos convidados para, através dos cursos, seminários e eventos disponibilizados, adquirirmos e mantermos o hábito do estudo, que nos garantirá a compreensão filosófica da vontade de Deus, nos empolgará e felicitará com o entendimento científico dos mecanismos da vida e sobretudo nos situará nas melhores condições de vivermos amorosamente a essência do ensinamento evangélico, nos transmudando em coragem e vontade, nos capacitando a realizar a própria parte na obra da criação.

 

por Celso Andreoni