Quem é Joanna de Ângelis?


         JOANNA DE ÂNGELIS é o nome adotado pela mentora espiritual do médium Divaldo Pereira Franco, o incansável divulgador da Doutrina Espírita.

Em sua obra mediúnica, Joanna de Ângelis trata de temas filosóficos, psicológicos e existenciais, frutos de suas passagens pela Terra e do trabalho desenvolvido por ela no mundo espiritual.

Como veremos no relato que transcrevemos a seguir, baseado nos livros “A Veneranda Joanna de Ângelis” (1), “Joanna e Jesus, Uma História de Amor” (2), e “Plenitude” (3), os ensinamentos de Joanna não são aqueles transmitidos por quem simplesmente os estudou nos livros. Joanna ensina o que, por experiência própria, aprendeu nas notáveis vidas que marcaram suas encarnações.

Nas estradas dos séculos, vamos encontrar este Espírito iluminado nas figuras de Joanna de Cusa, numa discípula de Francisco de Assis (possivelmente Clara de Assis), na grandiosa Sóror Juana Inés de La Cruz e na destemida Joana Angélica de Jesus.

Resumo Histórico

Joana de Cusa

Segundo informações de Humberto de Campos, no livro “Boa Nova” (4), Joana de Cusa, que viveu no século I, foi uma das maiores colaboradoras da obra de Jesus, inclusive citada no Evangelho como uma das mulheres piedosas Possuía fé imbatível. Narra o autor que: “entre a multidão que invariavelmente acompanhava Jesus nas pregações do lago, achava-se sempre uma mulher de rara dedicação e nobre caráter”. Já idosa, foi levada ao Coliseu, juntamente com seu filho, para negar sua fé em Jesus. Como não renunciou ao seu amor ao Cristo, foi queimada em uma fogueira, junto com seu filho, no ano 68 d.C..

Clara de Assis

         Ainda não há confirmação, mas acredita-se que Joanna de Ângelis viveu como Clara, fundadora da Ordem das Clarissas. Como não há uma revelação da própria Joanna ou da Espiritualidade sobre o assunto, nada se pode assegurar sobre a relação entre Joanna de Ângelis e Clara de Assis.
Sobre a discípula de Francisco de Assis, sabe-se que era bela e rica e que destacou-se desde cedo pela caridade e respeito com os quais tratava os menos favorecidos.

Aos 18 anos, Clara fugiu de casa para viver conforme o santo evangelho, atendendo aos votos de pobreza, obediência e castidade.

Os últimos anos de vida da Irmã Clara foram angustiantes em função de uma grave doença. Em seu leito de morte Clara consolou suas irmãs espirituais, abençoou a todos e disse para si mesma: “Caminha, pois tens um bom guia. Ó Senhor eu vos agradeço e bendigo pela graça que vós concedestes-me de poder viver”. 

Juana Inés de la Cruz

Em 1651 , Joanna de Ângelis renasceu como Juana de Asbaje Y Ramirez de Santillana, no México. Aprendeu a ler e escrever aos três anos de idade. Aos seis, dominava o idioma local com perfeição, assim como o nahuatl, uma língua indígena. Com 12 anos, começou a falar latim e aprendeu o português sozinha.

Diante de tantos prodígios a menina foi convidada para fazer parte da corte mexicana. Mas a garota queria ter liberdade para aprofundar os estudos, sob os desígnios de Deus. Foi então indicada para a Ordem de São Jerônimo da Conceição, onde tomou o nome de Sóror Juana Inés de La Cruz.

A “Monja da Biblioteca”, como ficou conhecida Sóror Juana, teve seus escritos popularizados pelo mundo todo. Foi considerada como a primeira feminista por ter defendido o direito da mulher de ser inteligente, capaz de lecionar e pregar livremente.

Em 1695, houve uma epidemia de peste na região. Juana socorreu as suas irmãs religiosas e grande parte da população durante dias e noites. Aos poucos, as pessoas assistidas por Sóror Juana foram morrendo e quando não restava mais ninguém para cuidar ela, abatida e doente, morreu aos 44 anos de idade.

Vulto importante para o México, a cédula de 1.000 pesos tem a sua efígie.

Joana Angélica de Jesus

Passados 66 anos do seu regresso à Pátria Espiritual, retornou, agora na cidade de Salvador na Bahia, em 1761, como JOANA ANGÉLICA, filha de uma abastada família.

Aos 21 anos de idade, ingressou no Convento da Lapa, como franciscana, com o nome de SÓROR JOANA ANGÉLICA DE JESUS, fazendo profissão de Irmã das Religiosas Reformadas de Nossa Senhora da Conceição.

Foi irmã, escrivã e vigária, quando, em 1815, tornou-se Abadessa e, no dia 20 de fevereiro de 1822, defendendo corajosamente o Convento, a casa do Cristo, assim como a honra das jovens que ali moravam, foi assassinada por soldados que lutavam contra a Independência do Brasil.

Nos planos divinos, já havia uma programação para esta sua vida no Brasil desde antes, quando reencarnara no México como Sóror Juana Inés de La Cruz. Daí, sua facilidade extrema para aprender português.

É que nas terras brasileiras estavam reencarnados, e reencarnariam brevemente, Espíritos ligados a ela, almas comprometidas com a Lei Divina, que faziam parte de sua família espiritual e aos quais desejava auxiliar.

Dentre esses afeiçoados a Joanna de Ângelis, destacamos Amélia Rodrigues, educadora, poetisa, romancista, dramaturga, oradora e contista que viveu no fim do século passado ao início deste.

 Joanna de Ângelis no mundo espiritual

            Ao desencarnar, Joanna Angélica foi convidada a integrar a falange do Consolador Prometido. Duas mensagens suas encontram-se em O Evangelho Segundo o Espiritismo, que ela assina como “Um Espírito Amigo” (E.S.E, capítulo IX, item VII e capítulo XVII, item XV).

Quando estava desencarnado, Emmanuel era o encarregado da evangelização espírita cristã do Brasil e Joanna sempre o assessorou neste movimento.

Hoje, ela tem a responsabilidade de atender às entidades vinculadas à Igreja, Espíritos que se equivocaram e estão nas regiões dolorosas do mundo espiritual.

Ela também é encarregada, junto com a Rainha Isabel de Portugal, de retirar das regiões tenebrosas do mundo espiritual e esclarecer os Espíritos profundamente vinculados ao erro. É um trabalho que realiza à luz do Evangelho segundo o Espiritismo.

Joanna de Ângelis é autora de 58 obras, psicografadas por Divaldo Pereira Franco, sendo 31 obras traduzidas para 8 idiomas e 5 em braile.

Dentre suas obras, destacam-se as da Série Psicológica, composta por mais de uma dezena de livros, nos quais Joanna estabelece uma ponte entre a Doutrina Espírita e as modernas correntes da Psicologia, em especial a transpessoal e junguiana.

Exemplos de humanidade, humildade e heroísmo, as vidas de Joanna de Ângelis nos trazem a mais pura expressão do amor, marcando toda sua extensa produção literária, visando à educação moral e ao consolo de inúmeras pessoas.

 

Notas:

  • “A Veneranda Joanna de Ângelis” – Celeste Santos e Divaldo Pereira Franco. Ed. Leal.
  • “Joanna e Jesus, Uma História de Amor” – Divaldo Pereira Franco e Cézar Braga Said. Ed. FEP.
  • “Plenitude” – Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco. Ed.Leal.
  • “Boa Nova” – Humberto de Campos, psicografia de Chico Xavier. Ed. FEB.