por: Sonia Barboza Formiga

 

O Dia das Mães nasceu da saudade de uma filha. Anna Jarvis estava órfã e desesperada. Passavam-se os anos e ela não se consolava. Suas amigas do ciclo bíblico resolveram animá-la, fazendo uma festiva homenagem à sua mãe, o que ocorreu na residência da jovem, junto aos seus familiares, no segundo domingo de maio de 1907, três anos após o desencarne.

Foi tão emocionante que, no ano seguinte, todas as mãezinhas desencarnadas foram homenageadas , no dia 10 de maio de 1908, no Templo da Igreja Metodista Episcopal de Grafton, em West Virgínia, nos Estados Unidos.

A partir daí, a comemoração se estendeu por todas as igrejas, até que, pressionado, o Congresso Americano a oficializou em 1814. Espalhou–se, então,  pelo mundo  e, no Brasil, ocorreu pela primeira vez em 12 de maio de 1918, na Associação Cristã de Moços, em Porto Alegre.  Em 5 de maio de 1932, o presidente Getúlio Dornelles Vargas oficializou a data.

Por que esse sentimento maternal é tão forte?

Diz  Maria Dolores: “ A vida triunfará, enquanto no mundo houver a chance do recomeço num regaço de mulher.” (1)

Mas, também afirma Batuíra: “A mulher é sempre mãe, não só dos próprios filhos, mas também dos grandes ideais, das abençoadas realizações da vida, dos estímulos ao progresso e, sobretudo, das boas obras”. (2)

Esse sentimento  é, ao mesmo tempo, instinto e virtude. Como instinto existe no Reino  Animal e temos provas  do cuidado e proteção que as fêmeas dedicam aos seus filhotes e até mesmo adotando filhotes órfãos, até de outras espécies. Porém, como instinto, isto dura apenas até que a cria se emancipe.

Mas, na mulher, esse sentimento, essa energia psíquica se enobrece, atinge o grau de virtude e se revela como o amor mais sublime, o estágio mais próximo do amor universal.

“Toda criança, para viver, precisa  da atenção dos pais, sobretudo da mãe que exerce sobre ela  um efeito psíquico alimentador. Esse alimento é tão importante que, a sua ausência, provoca uma carência quase orgânica que afetará a criança durante toda a sua existência”.(3)

Vivemos tempos difíceis e é muito doloroso observar a quantidade de crianças desamparadas, sem esse carinho e sem esse alimento! Como deve ser terrível viver sem um lar! Jesus, o Mestre amado, no momento doloroso da crucificação, lança o último olhar à sua mãezinha, a doce flor de Nazaré, abraçada a João. E, para glorificar a maternidade sublimada, entrega-a  ao amor de outro filho e diz, emocionado: – Mãe, eis aí teu filho!  Filho, eis aí tua mãe! (4)

Envolvidos em pranto, eles compreendem a profunda mensagem de Jesus.

Esse exemplo nos segue há mais de 2000 anos!

Francisco Cândido Xavier dedicou o final da sua existência a consolar as mães que perderam seus filhos ainda jovens e o recado que eles traziam era de consolo e esperança: – “Mãezinha, procure me ver nos filhos de outras mães. Socorre-os, porque cada dor que mitigas é bênção de luz que cai sobre mim”. (5) 

Lembro-me de Irmã Dulce, nossa santa, e de Madre Tereza de Calcutá que abdicaram das próprias vidas para serem mães dos pobrezinhos.

Lembro-me da mãe de André Luiz, em Nosso Lar, a lhe contar que voltaria à vida para abrigar, no seu regaço materno, as desditosas mulheres que, num envolvimento equivocado, uniram-se ao seu marido e destruíram seu lar.

É amor além da vida!

Lembro-me de todas as anônimas guerreiras que abraçam seus rebentos, com as mãos postas em oração, rogando a Deus que possa socorrê-las em seus infortúnios!

Enfim, lembro-me da minha própria mãe, tão acolhedora, e da poesia que, num momento de saudade, dediquei a ela e hoje divido com vocês:

Mãe

Mãe triste, mãe contente; mãe sem filhos, mãe de toda gente!

Mãe serena, mãe nervosa; mãe que grita, mãe que chora.

Mãe casada, mãe sozinha; mãe pequena, mãe gigante,

Mãe escrava, mãe rainha; mãe pertinho, mãe distante.

Mãe que implora, mãe que ri; mãe que pede, mãe que dá,

Mãe que fica, mãe que vai;  mãe daqui, mãe dacolá.

Mãe de verdade, mãe emprestada; mãe madrasta, mãe madrinha,

Mãe tão nova!  Mãe velhinha!  Mãe das mães!

Minha mãe!

Agradeço, mãe querida,  pelo muito que me deste, pela bênção  desta vida,

Pela alegria que há na beleza do caminho que estou a retrilhar!

Graças te dou, mãe querida, por me abrigar no teu seio,

Dar-me teu colo, o carinho, as noites, o aconchego.

E peço a Deus que te cubra com as bênçãos da redenção!

Que te pegue pela mão e te faça caminhar por estradas luminosas,

Onde nunca exista treva E onde eu possa te encontrar

Num dia, talvez distante, te abraçar e, confiante, tudo recomeçar.

 

Referências bibliográficas:

  • Souza, Dalva S. “Os Caminhos do Amor”, pp . 23
  • Xavier, Francisco C. “Mais Luz”, cap.85
  • Jung, Carl G. “O Desenvolvimento da Personalidade, pp 76 ,77
  • Evangelho de João, cap.19: 25-27
  • Francisco C. – Livros “Jovens no Além“ e “Éramos seis”.
  • Imbatível Amor Materno. El Insuperable Amor Materno.

http://orebate-jorgehessen.blogspot.com/2015/05/o-imbativel-amor-materno-o-imbativel.html

https://rinconespirita.wordpress.com/dr-luiz-carlos-formiga-2019/

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