O São João faz parte de um grupo de festas coletivamente conhecidas como Festas Juninas (comemorando o Santo Antônio, no dia 13, o São João, no dia 24 e o São Pedro no dia 29). As festas chegaram ao Brasil junto com os colonizadores portugueses que tradicionalmente as cultivaram para comemorar a colheita da produção agrícola no verão europeu. Já faz parte do conhecimento coletivo ocidental que os festejos juninos se devem ao fato de que as autoridades da Igreja quiseram cristianizar as festas pagãs ligadas ao solstício de verão comemorado em 24 de junho.

Nas festas do solstício era comum acenderem-se fogueiras e isso inscreve estas festas nas chamadas festas do fogo. A antiga festa do solstício era realizada com muita alegria e danças junto da fogueira e havia fartura de comida e bebida. Estas práticas passaram para as festas de São João, quando também se come muito, bebe-se, dança-se, canta-se e tira-se a sorte, já que a necessidade de conhecer o futuro era muito comum na Antiguidade. [1]

E quem é o João homenageado em junho? Trata-se de João Batista, um precursor e anunciador do Messias. A data da festa não se relaciona com sua decapitação (seu martírio é relembrado em 29 de agosto), mas com o seu nascimento, que teria ocorrido seis meses antes do Natal de Jesus.

É inequívoca a importância religiosa de João Batista para todas as orientações cristãs – ele é reverenciado pelas igrejas cristãs do ocidente com uma festa que cai em 24 de junho. É conhecido o papel de João na história do Cristo, mas basta lembrar sua admiração pelos métodos do profeta Elias. De tal maneira o admirava que foi chamado “encarnação de Elias” e o evangelho de Lucas menciona que existia uma incidência do  Espírito de Elias nas ações de João (Lucas 1,16-17). Mateus, inclusive, coloca na boca de Jesus a afirmativa que o Batista é o mesmo Elias: E se vocês o quiserem aceitar, João é Elias que devia vir”(Mateus 11,14) [2]. Nos meios espíritas, sabe-se que Elias reencarnou como João Batista.

Foi João Batista que batizou Jesus na margem do rio Jordão, em Pela. Relatos Bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João batizou Jesus, dizendo “este é o Meu filho amado no qual ponho toda a minha complacência”. Referem-se também a uma pomba que esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio, e essa ave foi considerada como manifestação do Espírito Santo. Este acontecimento sem qualquer repetição histórica tem servido por base a imensas doutrinas.

Mas por que organizar uma festa junina em um centro espírita? Respondendo com outra pergunta: Qual a finalidade da existência de centros espíritas senão o desenvolvimento do espiritismo e do AMOR fraterno verdadeiramente cristão entre os homens? De acordo com André Luiz Peixinho, o centro espírita é a unidade fundamental para o desenvolvimento do Espiritismo [3]. Apesar das diferentes formas de organização, todos têm em comum a realização de atividades múltiplas que ele enumera agrupando-as “em três núcleos  que correspondem a aspectos da sua função social: centro de saúde e promoção da pessoa, educandário e templo.

É essa função social que cumpre uma confraternização junina, mas principalmente lembrando o papel de João, propicia a oportunidade de estreitamento de laços de amizade entre trabalhadores, da prática da solidariedade e da caridade.

Por fim, mas não menos importante, resta a considerar um ângulo da questão: Deve-seconsiderar que, através dela (festa junina) se apresenta a oportunidade de angariar fundos, imprescindíveis ao financiamento dos serviços de saúde, de educação e de promoção do bem-estar humano. Sempre é bom lembrar: centros espíritas, como todas as instituições na Terra, pagam funcionários, utilizam material de limpeza, tem diversas despesas com água, iluminação, papeis, manutenção da área física, equipamentos, etc.

A necessidade de obter recursos para custear as atividades do espiritismo não é fato novo e foi proposta pelo próprio Allan Kardec, como documentado no Livro dos Médiuns: “Artigo 15 – Para prover as despesas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, é paga uma cotização anual de 24 francos para os titulares e 20 francos para os associados livres.

Todas essas ações estão alicerçadas nos princípios daqueles que tem a prática cristã como guia: são amigos da fraternidade, do serviço, da bondade e do perdão.

A festa junina da Casa de Frei Fabiano ocorrerá no próximo sábado, a partir das 15h, no Sport Clube Mackenzie. Crianças até 10 anos não pagam. Adquira seu ingresso e venha participar conosco!

[1] LEAL, José Carlos. O culto popular de São João Batista. Correio Espírita. Disponível “em: <http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/filosofia-e-espiritismo-correio-espirita/565-o-culto-popular-de-s%C3%A3o-jo%C3%A3o-batista>. Acesso em: 18 jun. 2015. 

(2) RESTIVO, Milton (Diácono). Nascimento de São João Batista, o precursor do Messias. Disponível em: 
http://caminhossenhor.blogspot.com.br/2014/06/nascimento-de-sao-joao-batista-o.html>. Acesso em 18 jun. 2015. 

(3) PEIXINHO, André Luiz. A tríplice função social do Centro Espírita. Federação Espírita do Estado da Bahia, 10 mar. 2014. Disponível em: <http://feeb.org.br/a-triplice-funcao-social-do-centro-espirita-parte-i/>. Acesso em 18 jun. 2015.