Por: Frederico Guilherme Kremer

 

A arqueologia tem contribuído para eliminar as dúvidas surgidas a partir do século XVIII e oriundas do pensamento racionalista de que Jesus seria uma lenda. Na busca do Jesus histórico surgiu uma fraqueza relacionada com duas cidades importantes do evangelho. Nazaré, onde Jesus viveu até o início do seu ministério público, e Magdala, a cidade de Maria Madalena que trouxe a notícia mais feliz que a humanidade recebeu: a ressurreição do Cristo.

 

Não existem referências a estas importantes cidades do evangelho em nenhum outro documento da antiguidade o que era uma fraqueza. Será que não eram cidades fictícias?

 

A arqueologia veio em ajuda do evangelho. Na década de 60 do século passado foi encontrada uma lápide em Cesárea de Felipe com a inscrição Nazaré. Em 2005 foram descobertas as ruinas de Magdala.

 

A arqueologia deu sentido as palavras de Jesus, anunciadas quando entrava em Jerusalém no domingo da páscoa do ano 33, que “as pedras clamarão.” Realmente se não acreditamos nas verdades do evangelho, iremos acreditar nas pedras.

 

Voltando a Nazaré, ela é conhecida como a flor da Galileia, como afirmou São Jerônimo, o famoso tradutor da bíblia para o latim. Localizada sobre uma colina a 350 metros em relação ao Mar Mediterrâneo, a cidade é rodeada por outros montes mais altos. Ao sul da cidade está a planície de Esdrelon, que fica na parte sul da Baixa Galileia.

O vilarejo de Nazaré era, no tempo de Jesus, um pequeno povoado de não mais de 30.000 metros quadrados (200 metros de comprimento por 150 de largura). As casas eram compostas geralmente por uma única sala, ligadas a uma gruta escavada à mão devido à fragilidade das rochas do local.

Jesus esteve em Nazaré apenas uma vez durante o seu ministério público. O Mestre foi a sinagoga e fez a leitura de Isaias sobre o messias e afirmou que ela se concretizava nele. Os habitantes reagiram afirmando que ele era o filho de José o faz tudo de Nazaré. Jesus ensinou, então, que nenhum profeta é reconhecido na sua verdadeira pátria. A reação foi enorme e tentaram jogá-Lo num precipício.

A lição nos ensina que quem conhece os nossos defeitos são os da nossa casa, ou seja, aqueles que se relacionam conosco, nos nossos grupos de convivência. Isto é importante porque temos muita dificuldade de reconhecer nossos erros. Não conseguimos enxergá-los e os projetamos como sombras no próximo.

Nós não conseguimos enxergar os nossos erros, mas sabemos bem identificá-los no próximo. Assim o problema não é o desconhecimento do erro pois conhecemos bem, mas só enxergamos no próximo.

No sermão da montanha Jesus ensinou: “Não julguem para não serem julgados, pois vocês serão julgados pelo modo como julgam os outros. O padrão de medida que adotarem será usado para medi-los.

“Por que você se preocupa com o cisco no olho de seu amigo enquanto há um tronco em seu próprio olho? Como pode dizer a seu amigo: “Deixe-me ajudá-lo a tirar o cisco de seu olho, se não consegue ver o tronco em seu próprio olho? Hipócrita! Primeiro, livre-se do tronco em seu olho; então você verá o suficiente para tirar o cisco do olho de seu amigo.”

Para fazermos a correção fraterna do nosso próximo, conversando em particular com ele, precisamos retirar a trave no nosso olho.

Além das críticas da nossa própria casa, que apontam a trave que teimosamente não identificamos e reconhecemos, devemos utilizar o método adotado por Santo Agostinho para uma avaliação interna do nosso comportamento diário e apresentado na pergunta 919 do Livro dos Espíritos.

Finalizamos lembrando o salmo 19 de Davi: “Quem pode ver seus próprios erros? Purifica-me, senhor, das faltas que cometo sem perceber.”