Por Alexandre Pereira

As leis divinas ou naturais, muito bem listadas na parte terceira de O Livro dos Espíritos, vem trazer inúmeros aprendizados a respeito da necessidade de aperfeiçoamento moral do homem.  A humanidade, especialmente no momento em que se encontra, busca por um entendimento maior sobre o que quer Deus com essa realidade de coisas. Quando há o estudo dos textos que tratam da Leis Morais, compreende-se facilmente essas leis, que sendo a vontade de Deus, vêm reger o processo de desenvolvimento intelecto-moral da criatura e o aprimoramento da matéria. Para os espíritos, o caminho do aperfeiçoamento não está ausente, mas esquecido, pois permanece gravado em suas consciências. Por muitas vezes desviam do caminho do bem, pela opção de fazer o mal, saindo da presença de Deus e preferindo, no exercício do livre-arbítrio, os gozos fáceis. Como quer Deus a nossa felicidade, as próprias leis naturais nos reencaminham para a perfeição, que está em nossa essência.

 

Dentre essas leis, temos a Lei de Destruição que vem chamar ao renascimento, à regeneração, tanto a matéria, quanto o espírito. A sua execução é proporcional as necessidades que hajam de aprimoramento daqueles que são por ela afetados, pois nada excede nas leis divinas. Quando a humanidade se encontra, por exemplo, diante de flagelos destruidores, de origem nos fenômenos da natureza ou pelas ações irresponsáveis dos homens,  tudo irá convergir para impelir determinadas situações, em cenários de aparente desgraça e aflição, de incompreensões e crises, mas que na verdade compõem o momento em que Deus permite a exposição às privações, que irão fazer com que a alma reflexione sobre a necessidade de crescimento moral.

 

Portanto, quando se fala em Lei de Destruição, trata-se do momento em que é proporcionada a renovação, através de instrumentos transformadores, que levará a melhoria para todos. Um momento de transformação não é a ocasião em que haja completa destruição da criatura ou da matéria, mas apenas o lugar em que há provações e ajustes. Para a humanidade, ora pela perda do corpo físico, muitas vezes pelo sofrimento de doenças graves, ora pela apreensão de prejuízo que poderá alcançar àqueles que lhes são mais queridos. É importante entender que não é uma questão de finitude, como mencionou recentemente um Espírito amigo, mas uma questão apenas de passar por um período e de sair deste estado para outro estado, de um lado para outro da transformação, como assevera a questão 728 de O Livro dos Espíritos.

 

Então, é preciso encarar a Lei da Destruição como uma dádiva divina, uma oportunidade dada à criação para que ela se renove. Assim, o Senhor não quer o sofrimento e a dor, quer a felicidade de suas criaturas.

 

Na conturbação em que se encontra a humanidade, nesta pandemia mundial, uma coisa importante é ver mais que Deus não nos deixa só em momento algum. Ao mesmo tempo em que todos são colocados diante dessa situação, também foi dado, durante muitos anos, o desenvolvimento das meios de comunicação, que possibilita que se possa passar por tudo com mais facilidade nos contatos virtuais, o desenvolvimento científico, que faz com que se confie na descoberta de medicamentos e vacinas. Os recursos são imensos e foram ofertados pelo Criador para que se tenha a diminuição, o retardo do efeito da destruição, restando apenas os efeitos que serão necessários para cumprir a lei. O Pai dá também a força, o ânimo, a inteligência, o bom senso, os meios para lutar pela vida, porque precisamos, pela Lei de Conservação, entender que a vida física tem um tempo necessário, onde se deve cumprir os propósitos acordados, para dar conta das tarefas. É a misericórdia de Deus atuando junto a cada um.

 

As leis de Deus são perfeitas, como Ele o é. O que hoje parece catastrófico, é momento de grande aprendizado. Quando a criatura olhar para trás, lá no futuro, verá que muitos foram aqueles que aproveitaram esses momentos para aprender e crescer moralmente, porque conseguiram um olhar consciente, múltiplo e humanista, um olhar de negação ao egoísmo, que caminharam para a prática da caridade com responsabilidade, e consideraram que a suprema vontade de Deus rege todos os universos.